Cinismo no poder: Milei deixa 5 milhões de quilos de comida apodrecerem

23/05/2024│A gestão de Javier Milei e Sandra Pettovello enfrenta críticas pelo acúmulo de mais de 5 milhões de quilos de alimentos não distribuídos em armazéns públicos. A desculpa da corrupção fantasma não convence as cozinhas populares, enquanto a pobreza continua a atingir o país.

FONTE: En orsai

A administração de Javier Milei desencadeou uma nova polêmica quando foi revelado que mais de 5 milhões de quilos de alimentos estão armazenados e não entregues em armazéns do antigo Ministério do Desenvolvimento Social. A informação, obtida através de um pedido de acesso público feito pelo portal El Destape, pinta um quadro desolador: a erva-mate, o leite em pó, o óleo, a farinha e outros produtos essenciais estão prestes a apodrecer enquanto metade da população argentina vive abaixo da linha da pobreza.

Desde que assumiu o cargo, o governo de Milei não comprou alimentos, segundo o site oficial de compras do estado. Organizações sociais e religiosas que mantêm milhares de cozinhas comunitárias em todo o país denunciam a falta de abastecimento. Tudo indica que os alimentos em questão são sobras da gestão anterior, acumuladas há mais de seis meses, momento crítico para produtos perecíveis.

Num país onde a fome e a pobreza são problemas prementes, deixar milhões de quilos de alimentos apodrecerem representa um novo nível de crueldade estatal. Esse estoque inclui mais de três milhões de quilos de erva-mate, mais de um milhão de quilos de leite em pó, quase meio milhão de garrafas de óleo e outros produtos como purê de tomate, grão de bico, farinha e arroz com carne. Esses alimentos, armazenados em armazéns de Villa Martelli e Tucumán, não foram distribuídos em maio, agravando a crise alimentar.

O governo anterior deixou um estoque de 5,8 milhões de quilos de alimentos, valor comum em um sistema que exige rotação constante para evitar o vencimento. Contudo, a atual administração não comprou alimentos nem distribuiu o restante, aumentando o risco de estes produtos se estragarem.

Milei e sua ministra do Capital Humano, Sandra Pettovello, argumentaram que os alimentos não foram distribuídos devido a auditorias que revelaram a suposta existência de cozinhas populares “fajutas”, que não existiam ou não tinham o número de beneficiários declarados. Esta justificação é insuficiente e perigosa num contexto onde a necessidade alimentar é urgente e real.