19/12/2023│O governo de Xi Jinping não ativou a prorrogação do acordo swap que visa a liquidação de vencimentos com o FMI. A decisão coincide com a posse presidencial de Javier Milei, que afirmou que romperia relações com a “ditadura comunista”.
FONTE: El Diario AR

A China suspendeu o reforço de swap de 6,5 bilhões de dólares que tinha sido acordado entre o ex-presidente Alberto Fernández e o seu homólogo Xi Jinping em Outubro passado. A decisão tem correlação com repetidas declarações de Javier Milei quando era candidato presidencial, de que romperia relações oficiais com a “ditadura comunista”.
A informação foi confirmada por três fontes do governo anterior à agência norte americana REDD Intelligence. O acordo permanecerá congelado até que o governo de Xi estabeleça negociações frutíferas com as novas autoridades, indicaram os meios de comunicação.
No dia 18 de outubro, Fernández anunciou a prorrogação do crédito swap durante sua visita à China, dias antes do primeiro turno presidencial. “Mais uma vez ele atendeu às nossas reivindicações e expandiu o uso do swap”, disse o então presidente, que também reafirmou a China como um “parceiro chave”. Em plena campanha, Sergio Massa celebrou o acordo no valor total de 11,5 bilhões de dólares, valor que incluía a nova parcela e a primeira de 5 bilhões de dólares.
Os recursos destinavam-se ao pagamento de vencimentos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no âmbito do empréstimo stand-by contratado pelo governo de Mauricio Macri em 2018. Foram US$ 2,59 bilhões a serem pagos em 31 de outubro e US$ 826 milhões em 6 de novembro. A Argentina realizou estes pagamentos, mas não com o crédito chinês, o que leva a estimar que a situação das reservas do Banco Central (BCRA) é hoje mais crítica do que se supunha.
Segundo as fontes mencionadas pela agência norte-americana, o país asiático suspendeu a prorrogação da troca assim que o candidato presidencial de extrema-direita entrou no segundo turno. Mais tarde, quando Milei foi eleito presidente, em 19 de novembro, o governo de Xi manteve a prorrogação no congelador, disseram as mesmas fontes.
“Publicamente, Milei disse muitas vezes que não queria ter relações comerciais e políticas com a China porque a considerava uma ‘ditadura comunista’”, cita o comunicado da agência em inglês. Milei afirmou que sua linha de política externa estaria alinhada com os Estados Unidos e Israel.
Apesar das suas posições anti-chinesas, Milei está tentando pôr em prática a prorrogação do acordo e até pediu ao ex-Presidente Fernández e ao ex-ministro Massa que ajudassem na mediação, disse uma fonte citada pela agência.
Um primeiro contato com uma missão chinesa ocorreu no dia 12 de dezembro na Casa Rosada, encontro que foi divulgado por Pequim mas não pelo Executivo argentino.
O swap é um mecanismo pelo qual dois agentes concordam em trocar uma quantia de dinheiro em suas respectivas moedas por um determinado período, para ser utilizada em seu relacionamento comercial. Neste caso, o BCRA e o Banco Popular da China (BPC) trocam pesos e yuans. O primeiro crédito swap com a China foi negociado em 2009 pela então presidenta Cristina Kirchner e renovado por Mauricio Macri em 2017.
