25/10/2023│Como esperado, Bullrich expressou apoio desconfortável a Milei no segundo turno, pressionada por Macri. Larreta e os mais moderados não aderiram ao apoio. A dirigente Elisa Carrió foi muito crítica e foi a primeira parceira a optar pela neutralidade, à qual aderiram a UCR, que dialoga com Massa, e os governadores de Juntos por el Cambio.

Como era de se esperar, Patricia Bullrich, que obteve 23% dos votos no primeiro turno das eleições de domingo [628.789 a menos do que nas primárias PASO em agosto], expressou nesta quarta-feira apoio “incômodo” a Javier Milei no segundo turno, pressionada por Mauricio Macri. Horacio Rodríguez Larreta, atual prefeito da cidade de Buenos Aires, e os mais moderados de seu espaço político, não aderiram à decisão. Por sua vez, a Coligação Cívica de Elisa Carrió [integrante de Juntos por el Cambio] foi muito crítica e foi a primeira parceira a optar pela neutralidade, à qual aderiram a UCR [União Cívica Radical, partido centenário com representação em todos os municípios], que está em diálogo com Massa, e os governadores de Juntos por el Cambio.
A reunião de ontem entre Macri e Milei selou um flerte que já durava várias semanas. Na ocasião, o ex-presidente prometeu que a diretoria nacional do PRO [outro integrante de Juntos por el Cambio] emitiria uma declaração de apoio formal ao libertário Milei. Além disso, ele prometeu US$ 15 milhões para a campanha, que Milei receberia na segunda-feira. Tudo em troca de bons cargos para Macri no hipotético governo neoliberal.
No entanto, o acordo entrou em crise porque Macri não conseguiu alinhar a liderança do PRO no seu apoio a Milei, que neste momento já está por um fio. Ele mal conseguiu a subordinação de Bullrich.
Ao mesmo tempo, a UCR e a Coligação Cívica abandonaram Juntos por el Cambio, anunciaram que Macri e Bullrich já não formam parte do PRO e anunciaram a sua neutralidade na segunda volta.
Por sua vez, Lilita Carrió atacou fortemente Macri e Bullrich. “Quem destruiu Juntos por el Cambio foram [Mauricio] Macri e Patricia [Bullrich] e cometeram um erro histórico”, disse a dirigente.
Por sua vez, o partido Confianza Pública, também membro de Juntos por el Cambio, declarou que não apoiará nem Massa nem Milei na votação de 19 de novembro. Através de um nota à imprensa, a força liderada por Graciela Ocaña garantiu que aceita “os resultados eleitorais do domingo passado, mas não apoiaremos nenhuma das duas fórmulas que irão competir no segundo turno”.
Paralelamente, os nove membros da liga de governadores de Juntos por el Cambio se reúnem nesta quarta-feira na Casa de Corrientes, em Buenos Aires, para anunciar publicamente sua posição a partir das 18h, que seria a neutralidade. Os integrantes são: Alfredo Cornejo (Mendoza), Carlos Sadir (Jujuy), Gustavo Valdés (Corrientes), Ignacio Torres (Chubut), Claudio Poggi (San Luis), Marcelo Orrego (San Juan), Maximiliano Pullaro (Santa Fé), Leandro Zdero (Chaco) e o último a chegar Rogelio Frigerio (Entre Ríos). A eles juntou-se também Jorge Macri, prefeito eleito da cidade de Buenos Aires, que se encontra numa posição desconfortável, devido à sua relação com o ex-presidente e à sua participação na liga de governadores.
