A aposta incendiária de Milei em busca de votos: desencadear uma crise econômica antes das eleições

10/10/2023│A estratégia de campanha temerária de Javier Milei, candidato de extrema direita, busca gerar preocupação nos mercados financeiros para conquistar votos, proclamando a dolarização da economia argentina. Esta situação gera um clima de incerteza a poucos dias das eleições, com importantes repercussões econômicas e políticas.

FONTE: En orsai

Javier Milei, candidato de extrema-direita, a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais argentinas, definiu uma estratégia de campanha com o objetivo de gerar pânico financeiro e assim atrair votos. Suas declarações, feitas recentemente, aumentaram a turbulência no mercado e visam fomentar expectativas de desvalorização do peso argentino. Milei enfatizou sua intenção de dolarizar a economia, desencorajando simultaneamente a renovação das aplicações financeiras tanto para investidores particulares quanto para empresas. Segundo suas declarações, o peso argentino, por ser emitido pela classe política, carece de valor, por isso ele proclama o uso do dólar como moeda de referência. Estas declarações, que encorajam uma corrida cambial, são uma estratégia dirigida com tal finalidade.

Em resposta a estas pressões para uma possível desvalorização da moeda local, o Banco Central vendeu reservas no valor de 70 milhões de dólares no mercado cambial oficial, acrescentando assim intervenções num total de 246 milhões até agora em Outubro. Além disso, estão em negociações para ativar uma nova parcela do crédito swap com a China, o que permitiria um reforço de até 5 bilhões de dólares na sua capacidade de intervenção.

O objetivo imediato destas ações é evitar que o mercado imponha um ajuste cambial no mercado atacadista de divisas e uma maior aceleração das taxas de inflação. Os resultados desta disputa sobre a desvalorização do dólar oficial terão um impacto significativo na renda salarial da população.

O atual tom incendiário de Milei contrasta marcadamente com as suas declarações no final de Agosto, após as eleições primárias, onde manifestou a sua recusa em colaborar numa estratégia para desestabilizar o programa económico do Governo. Contudo, os seus recentes pronunciamentos parecem apontar na direção oposta, promovendo o desastre financeiro.

O Banco Central emitiu um comunicado em resposta às declarações de Milei, embora sem mencioná-lo diretamente. O texto destaca a sólida situação do sistema financeiro argentino em termos de solvência, capitalização, liquidez e provisionamento. Também ressalta que a política monetária busca manter o poder de compra e a poupança da população, por meio de aplicações e seguro de depósitos, assim como do papel de credor de última instância do Banco Central, como garantias de estabilidade financeira.

Segundo o comunicado, a solvência do sistema financeiro está sujeita a auditorias internacionais como parte dos compromissos assumidos pela Argentina com diferentes organismos multilaterais, o que inclui avaliações internacionais de diversos programas e padrões financeiros. Este apoio internacional é essencial para manter a confiança no sistema financeiro do país num momento de tensões económicas e políticas.

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