FONTE: Contexto

Há um ano uma grande mobilização popular acompanhou Cristina Fernández de Kirchner contra o avanço judicial contra ela. Na porta de sua casa no bairro Recoleta também estava Fernando Sabag Montiel, que tentou assassiná-la com uma arma cuja bala nunca saiu. Sua namorada, Brenda Uliarte, o esperava a poucos metros de distância. Detido desde então, o caso avança para um julgamento oral, mas a investigação sobre as ligações políticas ainda não prosperou, apesar do recorrente pedido de denúncia ao procurador Carlos Rívolo e à juíza María Eugenia Capuchetti.
Os autores caminham para julgamento oral e público, sendo que o Tribunal Oral Federal 6 (TOC 6) responsável já solicita as provas necessárias para aquela instância, mas ainda sem data específica. É que o TOC 6 não possui juízes titulares, estando por enquanto a cargo dos substitutos Sabrina Namer, Daniel Obligado e Ignacio Fornari.
Existem provas convincentes contra os perpetradores, com Sabag Montiel detido em flagrante, Brenda Uliarte encontrada no local do delito e com as buscas efetuadas em sua casa que a comprometem, e um tal Nicolás Carrizo -chefe de ambos no posto de venda de algadão doce que tinham ambos acusados – que se descobriu conhecedor e de acordo com o atentado.
O Ministério Público entendeu que a conduta dos três arguidos foi “premeditada”, entendendo que traçaram “um plano para concretizar o assassinato da Vice-Presidenta da Nação”. Contudo, a dúvida sobre os possíveis mandantes do acontecimento ainda não alcançou um avanço concreto da Justiça.
Neste ponto, os advogados de CFK têm exigido que sejam seguidas diversas pistas que comprometem o sector político e sustentam que o caso não pode ser levado a julgamento sem que se investigue essa linha. Neste quadro, a vice-presidenta solicitou que se investigasse a Revolución Federal, organização libertária com a qual Brenda Uliarte tinha vínculos, conhecida por sua marcha com tochas e guilhotinas até a Casa Rosada. Neste ponto, uma investigação paralela revelou que um dos seus fundadores, Jonathan Morel, recebeu somas significativas de dinheiro através da Caputo Hermanos S.A. [NdT Trata-se de Nicolás Caputo, primo e suposto testa de ferro de Mauricio Macri]. Trata-se de um processo a parte, que não está sob investigação de Capuchetti.
Um dos pontos que poderiam dar conta da autoria intelectual do atentado é a “pista Milman”, em referência ao deputado do PRO, Gerardo Milman, que uma testemunha ouviu dizer em um almoço com dois assessores horas antes do atentado “quando a matarem, eu estarei no litoral ». O mesmo deputado, treze dias antes do atentado, apresentou um projeto de declaração alertando sobre a possibilidade de que um “iluminado” atentasse contra a figura de CFK. Esta pista não foi elevada a julgamento.
Outros pontos que não foram estudados a fundo foram a formatação do celular de Sabag Montiel, apagando tudo o que nele havia; os advogados vinculados ao PRO que defendem Carrizo; o papel da comentarista televisiva Delfina Wagner que também manteve vínculo com os envolvidos; o papel da vizinha do CFK, Ximena Tezanos Pinto, que recebeu em sua casa membros da Revolução Federal na semana do atentado.
