Chefe do Comando Sul dos Estados Unidos volta à Argentina de olho nos recursos naturais e no vínculo com a China

Quase um ano depois da última visita ao país, Laura Richardson do Comando Sul dos Estados Unidos, órgão criado para defender os interesses da Casa Branca na região, se reunirá com o ministro da Defesa argentino, Jorge Taiana, no dia 17 de abril.

FONTE: Resumen Latino Americano

Laura Richardson, chefa do Comando Sul dos Estados Unidos.

De olho nos recursos naturais e na relação da Argentina com a China, a chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, Laura Richardson, chegará ao país para realizar uma série de reuniões bilaterais, quase um ano após sua última reunião com Cristina Kirchner. Em janeiro, a funcionária do governo de Joe Biden explicitou, sem filtros, o interesse dos Estados Unidos no lítio, petróleo e água doce na região.

Laura Richardson chegará no fim de semana e se reunirá com o ministro da Defesa, Jorge Taiana, na segunda-feira, 17 de abril. Entretanto, não estão descartados encontros com outros responsáveis ​​e representantes das Forças Armadas argentinas.

Em sua última viagem ao país, a general norte-americana foi recebida pela vice-presidenta Cristina Kirchner, acompanhada de Marc Stanley, embaixador dos Estados Unidos em Buenos Aires.

Laura Richardson e seu interesse pela América Latina

Richardson não esconde seu interesse pela região. Isso ficou claro há alguns meses, quando perguntada por que a América Latina é importante. A militar, sem hesitar, destacou o triângulo do lítio; a concentração das “maiores reservas de petróleo”; “os recursos da Venezuela, com petróleo, cobre, ouro”; as florestas da Amazônia, “os pulmões do mundo”; e finalmente “31% da água doce do mundo”.

Ofensiva para desconectar a Argentina da China

Além do vídeo gravado para um evento do Atlantic Council, um think tank ligado à OTAN, o Comando Sul dos EUA também está de olho na relação entre todos os países da região com a China. Assim, esta nova viagem faz parte de uma nova ofensiva para tentar bloquear acordos de cooperação entre a Argentina e o gigante asiático, especialmente em matéria nuclear.

Principalmente, buscam impedir a construção da quarta usina atômica argentina com tecnologia chinesa. De fato, Richarson não é o primeiro funcionário dos EUA a visitar o país para “alertar” sobre os riscos e “inconvenientes” de uma parceria com a China em questões nucleares e “o interesse de Washington em obter a cooperação da Argentina”.

Isso aconteceu em abril de 2022, quando uma delegação chefiada pela secretária adjunta de Segurança Internacional do Departamento de Estado, Ann Ganzer, visitou o país e levantou diversas questões sobre a tecnologia oferecida pela China para a futura central atômica Atucha III, devido à falta de qualidade, quebra de padrões internacionais, design e questões de segurança. Diante disso, um estudo da Nucleoeléctrica Argentina, empresa estatal responsável pela operação das três usinas nucleares existentes no país (Embalse e Atucha I e II), considerou essas questões inadmissíveis, principalmente por terem sido confeccionadas com base em “recortes jornalísticos sem respaldo científico”.

Deixe um comentário