Será com México, Brasil, Colômbia e Cuba, e prevê definir um esquema para o intercâmbio de produtos sensíveis. Uma cúpula entre os líderes dessas nações marcada para o dia 17 de março.
FONTE: Ámbito Financiero
Por Mariano Martins

Juntamente com México, Brasil, Colômbia e Cuba, a Argentina está preparando um acordo regional para conter a inflação, revelou o presidente Alberto Fernández ao jornal Ámbito Financiero. O entendimento prevê uma cúpula entre os dirigentes destas nações marcada, por agora, para 17 de março, e definir um esquema de troca de produtos sensíveis entre os participantes para facilitar em cada caso a importação a um valor inferior aos que registrarem aumentos anormais em seus preços e influenciarem no valor de suas cestas básicas.
“(O presidente mexicano Andrés Manuel) López Obrador me ligou e propôs lançar um acordo com Brasil, Colômbia e Cuba, que juntos respondem pela maior parte do PIB da região, para nos ajudar com um problema que é comum a todos nós, como é a inflação”, explicou Alberto em diálogo exclusivo com este jornal. O presidente definiu o mecanismo de troca como “uma espécie de compensação de produto” e citou como exemplo que se a Argentina registrar aumentos injustificados em um item como vestuário, poderia recorrer a um dos parceiros, como o Brasil, para obtê-lo a um preço mais baixo por um determinado período em troca de outro item mais acessível em nível local, como a soja.
Alberto Fernández informou que a comunicação com seu companheiro do México ocorreu em 17 de fevereiro em meio a sua visita à província de Misiones [Argentina]. Acrescentou que houve conversas imediatas com Luiz Inácio “Lula” Da Silva, do Brasil, Gustavo Petro, da Colômbia, e Miguel Díaz-Canel, de Cuba, para informá-los da iniciativa e marcar a eventual cúpula no próximo mês. “Também concordamos que, enquanto isso, os ministros de cada país conversariam entre si. No meu caso, dei instruções a Santiago Cafiero (ministro das Relações Exteriores) e a Sergio Massa (Economia) para avançar nessa linha”, explicou.
Os participantes do possível acordo regional têm em comum não apenas graus de afinidade ideológica, mas, sobretudo, terem sofrido cada vez mais o flagelo da inflação. O México, por exemplo, fechou 2022 com inflação de 7,82%, a maior em duas décadas, impulsionada pelos preços dos alimentos e também dos insumos agrícolas e energéticos, uma constante mundial devido aos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. O Brasil, por sua vez, registrou 5,79% no ano com desaceleração acentuada ante 10% em 2021, mas bem acima da meta de 3,5% estabelecida pelo Banco Central. A Colômbia, por sua vez, marcou 13,1%, a taxa mais alta em 23 anos, e Cuba atingiu 39%.
A Argentina teve um pico inflacionário de 94,8% em 2022, o maior recorde desde 1991, impulsionado principalmente pelo aumento dos preços de alimentos, bebidas e vestuário. O Presidente mostrou-se entusiasmado com a iniciativa de López Obrador, lembrando que, além de reunir a maior parte do produto bruto regional, os países chamados a assinar o acordo reúnem uma vasta rede de produção de alimentos, energia e manufaturas e, além disso, não é imprescindível que recorram ao dólar como moeda de troca.
