Por Alejandra Dandan
FONTE: Página 12

Por volta da meia-noite [da quinta-feira 1] a militância começou a voltar para a esquina da rua Juncal com a rua Uruguai [do bairro Recoleta da cidade de Buenos Aires]. Não havia bandeiras expostas e os cânticos naquele momento duravam apenas um sopro, silenciados por outros, entre os que ali estavam, enquanto se espalhava um sentimento de luto coletivo. “Sem bandeiras, nada, não tinha nada, era como um velório, como a entrada de um hospital”, diz Thiago Rodríguez, um dos cronistas presentes no espaço. “As músicas duravam segundos, a mesma militância pedia para pararem: por favor cale a boca, que não é hora de cantar.”
A mídia permaneceu no local. Todos os canais, enquanto vários integrantes da coligação política Frente de Todos iam e vinham. Mayra Mendoza [prefeita da cidade de Quilmes] chegou perto da porta do prédio do CFK, e quando um dos repórteres se aproximou dela para perguntar algo, ela não conseguiu nem falar. “Ela tinha lágrimas nos olhos, estava muito angustiada, como em estado de choque”. Também passaram o deputado Leopoldo Moreau, Tano Catalano, Horacio Pietragalla, Cristina Alvarez Rodríguez, e houve muitos abraços com o dirigente sindical Roberto Baradel. Ninguém entrou na casa da vice-presidenta. Nem entraram nem saíram e o que aconteceu lá dentro permaneceu estritamente hermético. A Polícia Federal continuou estacionada no local, com cerca de cinquenta efetivos, aos olhos dos cronistas, desdobrados na rua.
Uma hora depois do anúncio, em rede nacional, do presidente Alberto Fernández, os grupos de bate-papo começaram a se organizar para sexta-feira se congregarem na Plaza de Mayo. “Convocou Alberto”, diziam. Na noite da Recoleta, mais militantes continuaram a chegar. Uma maré humana que parece não parar mesmo sob a ameaça de bala.
