Após o encontro entre Georgieva, titular do FMI, e a ministra argentina da economia Silvina Batakis, nos EUA, a agência não mudou sua estimativa de crescimento para a Argentina, que permanece em 4% para 2022. Horizonte econômico sombrio para o mundo como resultado da guerra.
FONTE: Política argentina

Em sua última atualização do relatório Perspectivas Mundiais, o Fundo Monetário Internacional (FMI) na terça-feira [26] manteve as projeções de crescimento para a Argentina em 4% em 2022, e ao mesmo tempo baixou as projeções mundiais devido às consequências da guerra.
De acordo com as novas projeções do FMI, a economia mundial desacelerará de 6,1% no ano passado para 3,2% em 2022, o que representa 0,4 ponto percentual a menos do que no último relatório “Global Outlook”, realizado pelo organismo multilateral em abril. No caso da Argentina, foram mantidas as mesmas estimativas do último relatório, com projeção de crescimento de 4% para este ano e 3% para 2023.
O relatório do FMI descreve a situação mundial como “sinistra” e observa que a produção no mundo “encolheu no segundo trimestre deste ano, devido às recessões na China e na Rússia”. “Vários golpes atingiram uma economia global já enfraquecida pela pandemia: inflação acima do esperado em todo o mundo, especialmente nos EUA e nas principais economias europeias, levando a condições financeiras mais apertadas; uma desaceleração pior do que o previsto na China, refletindo os surtos e bloqueios de Covid-19; e outros efeitos colaterais negativos da guerra na Ucrânia”, afirma o relatório.

Entre as revisões em baixa mais importantes estão as dos Estados Unidos com redução de 1,4 % e de 1,1% na China, países onde agora se espera um crescimento de 2,3 e 3,3%, respectivamente. “Uma tentativa de recuperação em 2021 foi seguida por desenvolvimentos cada vez mais sombrios em 2022, à medida que os riscos começaram a se materializar”, disse o relatório da agência.
O menor crescimento no início deste ano, o poder de compra das famílias reduzido e a política monetária mais apertada levaram a uma revisão para baixo de 1,4% nos Estados Unidos. “Na China, os novos bloqueios e o aprofundamento da crise imobiliária fizeram com que o crescimento fosse revisto para baixo em 1,1%, com importantes efeitos de contágio em nível global”, acrescenta.
Em contraste, a inflação global foi revisada em alta devido aos preços de alimentos e energia, bem como a persistentes desequilíbrios entre oferta e demanda, e deve atingir 6,6% nas economias desenvolvidas e 9,5% nas economias emergentes e em desenvolvimento este ano: revisões para cima de 0,9 e 0,8 pontos percentuais, respectivamente.
Em 2023, espera-se que a política monetária desinflacionária entre em ação, com a produção global crescendo apenas 2,9%. “Como os preços em alta continuam a reduzir os padrões de vida em todo o mundo, o controle da inflação deve ser a primeira prioridade para os formuladores de políticas. Uma política monetária mais rígida inevitavelmente terá custos econômicos reais, mas o atraso só os exacerbará”, aconselha o órgão liderado por Kristalina Georgieva.
