Assim afirmou a Vice-Presidenta da Argentina, ao inaugurar nesta quarta-feira as sessões da Assembleia Parlamentar EuroLat.
FONTE: Primereando las noticias

A Vice-Presidenta argentina, Cristina Fernández de Kirchner, participou da abertura de uma nova sessão plenária da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana (Eurolat), que se reuniu no Centro Cultural Kirchner (CCK).
Acompanhado por Oscar Darío Pérez Pineda, membro da Câmara dos Deputados da Colômbia e copresidente da delegação latino-americana; e Javi López, eurodeputado e co-presidente da parlamento europeu.
“A pandemia veio para restabelecer a ideia de Estado. Alguém já se perguntou o que teria acontecido conosco se os governos não tivessem intervindo construindo hospitais, cuidando dos doentes, negociando com o mercado, ou seja, com os laboratórios, as vacinas para que nós e nossos entes queridos não morrêssemos?”, perguntou CFK, e recebeu a primeira salva de palmas dos presentes.
“Que alguém continue afirmando que o Estado não é importante na vida das pessoas […], ou é tolo ou é cínico, porque existem os dois”, destacou.
“Acho que a grande discussão vai ser essa, porque as desigualdades não nascem de uma ordem natural, não são produto da natureza; elas são o produto de decisões políticas ou da falta de decisões políticas”, disse.

E acrescentou que “a grande discussão que vai acontecer é se este processo capitalista, que vai da China aos Estados Unidos, é conduzido pelas leis do mercado ou pelas [leis] dos Estados, esta é a questão – parece-me- para resolver o problema da desigualdade.
“Que tipo de Estado precisamos para enfrentar um mundo que nada tem a ver com aquele em que os Estados do mundo foram construídos, em 1789, na Revolução Francesa, daí data a organização que temos com os três poderes”, e acrescentou “hoje, nossos Parlamentos, nossos Executivos, nosso Judiciário, tantas vezes cooptados pelo mercado e por fatores econômicos… Quanto da totalidade do poder eles representam?”.
“Isso não é por acaso, quando essa forma de governança foi adotada não havia luz elétrica, carro ou celular”, lembrou Cristina, e opinou que “hoje nossas constituições são uma regulamentação do funcionamento do Executivo, do Legislativo e eventualmente do Judiciário. Mas acima de tudo o outro poder que está fora: mercados, monopólios, oligopólios, poder financeiro internacional… nada disso aparece em nossas constituições e o pior de tudo é que quando as sociedades a cada dois ou quatro anos elegem seus representantes não julgam nenhum desses poderes, julgam vocês, legisladores que, sentados em seus assentos, não podem fazer muito muito”.
