Mercosul: Argentina e Brasil concordam em reduzir a tarifa externa comum em 10%

A medida alcança “um universo muito amplo de produtos”. É uma virada após meses de tensões em torno da reforma do bloco de integração regional.

FONTE: Ámbito Financiero

Chanceler argentino, Santiago Cafiero, junto ao chanceler brasileiro Carlos França.

Brasil e Argentina anunciaram nesta sexta-feira um acordo para reduzir em 10% a tarifa externa comum do Mercosul “em um universo muito amplo de produtos”, em uma virada após meses de tensões em torno da reforma do bloco, informou a agência AFP.

“Chegamos a um acordo sobre a tarifa externa comum do Mercosul, que agora será levado aos sócios Paraguai e Uruguai, o que permitirá uma redução de 10% em um universo muito amplo de produtos”, anunciou o chanceler brasileiro, Carlos França, após receber o ministro argentino Santiago Cafiero, em Brasília.

A declaração de França ocorreu após o primeiro encontro com Cafiero no cargo de ministro das Relações Exteriores da Argentina e mostrou o consenso alcançado entre os dois países quanto à abertura da Tarifa Externa Comum do Mercosul, citou a agência informativa Telam.

O chanceler brasileiro Carlos França disse estar “muito entusiasmado” em chegar a um acordo com a Argentina para a compra de gás da jazida de Vaca Muerta, na província de Neuquén, destinado ao consumidor brasileiro. “Para o Brasil, a Argentina é uma prioridade absoluta”, disse França em comunicado à imprensa após encontro com Cafiero em Brasília.

O chanceler brasileiro destacou a possibilidade de um futuro gasoduto de Vaca Muerta sustentar o crescimento do Brasil, país que vive a pior crise hídrica em 91 anos, com reajustes tarifários por conta da seca de suas hidrelétricas e dependente, em termos de gás, da Bolívia.

Além disso, em 2022 o governo de Jair Bolsonaro terá que renegociar a energia da usina binacional Itaipu com o Paraguai.

“A Argentina tem uma grande produção do gás de que o Brasil precisa na região de Vaca Muerta. Estamos trabalhando muito para aumentar a conectividade do insumo não só em energia como matéria-prima para fertilizantes”, disse o chanceler brasileiro.

E acrescentou: “Sou um entusiasta da integração com Vaca Muerta”. O presidente Bolsonaro havia dito na quinta-feira que o agronegócio brasileiro pode sofrer em 2022 devido à falta de fertilizantes no mercado global. O chanceler disse que o consenso alcançado com Cafiero sobre o Mercosul preserva “o sentido de união” mas também a “adaptação do bloco ao mundo”.

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