Evo Morales confirmou Zaffaroni como seu defensor ante o golpe boliviano

Evo Morales anunciou na quinta-feira no Hotel Bauen de Buenos Aires que os juristas argentinos Eugenio Raúl Zaffaroni e Raúl Gustavo Ferreyra serão seus consultores jurídicos em casos legais perante tribunais internacionais e bolivianos relacionados à sua derrubada e aos crimes que o governo golpista lhe imputa.

FONTE: Enorsai

Eugenio Raúl Zaffaroni, atual juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

O ex-membro da Corte Suprema de Justiça da Argentina considerou que Morales ainda é o presidente constitucional da Bolívia e, portanto, ele tem direito à imunidade de “um Chefe de Estado estrangeiro”, explicou Eugenio Zaffaroni, que também apontou que até agora eles não consideram nenhum pedido de extradição contra o presidente boliviano deposto e que só conhecem os mandados de prisão emitidos pelos promotores bolivianos pelo crime de sedição, que por sua natureza política não permite a extradição.

Raúl Ferreyra, por sua vez, disse que “a Bolívia se tornou um estado de não-direito. É um estado brutal”. Enquanto o líder do MAS [Movimento Ao Socialismo] garantiu que as ordens contra ele são o produto de suas denúncias dos abusos do governo golpista: “Quem protesta contra o governo golpista é sedicioso”.

Evo Morales chegou como refugiado na Argentina após a posse de Alberto Fernández, depois de um período no México quando a cúpula do Exército boliviano forçou sua renúncia. A presidente golpista, Jeanine Áñez, através do Ministério Público da Bolívia, acusou Morales de sedição, terrorismo e financiamento do terrorismo e emitiu um mandado de prisão contra ele.

A Promotoria argumenta que Morales é responsável por promover confrontos contra o golpe com base em um áudio no qual o ex-presidente é supostamente ouvido ordenando resistir e cercar as cidades para derrubar Áñez.

Embora o governo golpista já tenha convocado eleições gerais, ainda não definiu uma data. A Justiça boliviana autorizou a participação nas eleições do partido de Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS), que definirá seus candidatos em um congresso inicialmente previsto para este mês.

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