Formal e cortês, afirmou que, se Alberto Fernández visitar o Brasil, o receberá “com a honra que merece”. Imediatamente exigiu que as tarifas de exportação de trigo não fossem aplicadas e pediu para consolidar o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
FONTE: BAE Negocios
No que parece ser um sinal de avanço em um relacionamento pragmático com a Argentina, como prometido por algumas autoridades nos últimos dias, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse sexta-feira que se seu par Alberto Fernández visitar o Brasil, ele o receberia “com a honra de chefe de estado que ele merece”, em um gesto de aproximação entre os dois governos após os curtos-circuitos iniciais.

“Não está planejado (uma visita de Fernández ao Brasil), mas, se vier, será recebido com todas as honras de chefe de Estado”, disse o presidente brasileiro em declarações à imprensa feitas na porta do Palácio da Alvorada, a residência presidencial.
Bolsonaro destacou que Argentina e Brasil “têm um bom comércio em várias áreas” e instou: “Espero que as medidas para aumentar os impostos [dispostos por Alberto Fernández] sobre as exportações de grãos e o trigo que compramos não se apliquem a nós”.
Depois de um relacionamento tenso, o chefe de estado brasileiro começou a mostrar sinais do óbvio: Argentina e Brasil são necessários comercialmente. Em particular, o Brasil precisa que a produção de trigo argentino não caia, já que usa entre oito e dez milhões de toneladas para atender às demandas do mercado interno e o restante da produção é um saldo exportável, do qual grande parte vai para o Brasil.
Um pouco desajeitado, talvez, depois de ter permitido aos Estados Unidos vender 700 mil toneladas de trigo sem tarifas, como uma maneira de dizer à Argentina que poderia obter outros fornecedores, agora pede que não seja imposta uma política tarifária ao Brasil. Algo que não está nos planos do governo de Fernández, já que o comércio intra-Mercosul tem tarifa zero.
Por outro lado, Bolsonaro expressou sua intenção de que os dois países “trabalhem juntos para consolidar o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia”.
A afirmação de Bolsonaro sobre uma possível visita de Fernández ao Brasil é um sinal de distensão no relacionamento bilateral depois que o presidente brasileiro questionou a vitória da Frente de Todos nas eleições de outubro.
Em 2019, Bolsonaro expressou seu apoio à reeleição do então presidente Mauricio Macri e, após a vitória de Fernández, disse que os argentinos “escolheram mal”.
Fernández respondeu aos ataques com um tom moderado, embora tenha visitado o ex-presidente Luis Ignácio Lula da Silva na prisão e em novembro comemorado sua libertação durante sua mensagem inaugural da II Reunião do Grupo de Puebla, realizada em Buenos Aires: “Com Lula outros ventos sopram no Brasil. Não tenho dúvidas de que a unidade do Brasil e da Argentina é indissolúvel, nenhum governo conjunto pode quebrá-la, nada vai quebrá-la. Continuaremos trabalhando para essa unidade, que é o eixo da unidade da América do Sul”, disse ele.
A isso seguiram-se, no final do ano passado, várias críticas do presidente brasileiro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, contra Fernández e seu filho, Estanislao.
A posse do presidente Fernández contou com a presença do vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, que recebeu em Brasília o embaixador argentino, ex-vice-presidente e ex-governador de Buenos Aires Daniel Scioli.
Posteriormente, o governo brasileiro começou a oferecer gestos de distensão com a Argentina, observando que buscaria um relacionamento “pragmático”, os quais foram como sinal positivo pela Casa Rosada, em contraste com os atritos iniciais.
