No dia 1 de setembro mais de 300.000 pessoas se reuniram na Praça de Maio, em Buenos Aires, para exigir do governo argentino respostas pelo desaparecimento do jovem artesão Santiago Maldonado. O pedido se fez ouvir em outras grandes cidades do país, como Rosario e Córdoba, e do mundo, como Madri, Barcelona, Milano, Estocolmo, etc.
Centenas de milhares de pessoas se reuniram em Buenos Aires frente à Casa Rosada para pedir pela vida do jovem ativista Santiago Maldonado, desaparecido por ação da Gendarmería Nacional -uma força militarizada argentina- na região patagônica de Cushamen a pouco mais de 200 kilómetros ao sul de Bariloche.
A marcha foi convocada por diversos organismos de direitos humanos (Abuelas de Plaza de Mayo, Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora y Familiares de Desaparecidos y Detenidos por Razones Políticas; a agrupação H.I.J.O.S., o Centro de Estudios Legales y Sociales (Cels), a Liga Argentina por los Derechos del Hombre, etc.) e de agrupações vinculadas à defesa dos direitos dos povos originários, encabeçados pela dirigente Mapuche, Moira Milllán.
O jovem e foi visto por última vez em 1 de agosto quando participava de uma ação pela defesa do território da comunidade indígena mapuche (filhos da terra), em Pu Lof Cushamen, e a Gendarmería reprimiu os manifestantes de forma truculenta. O motivo é a disputa por apenas 500 hectares de terra que estão sendo reivindicados pelo magnata italiano Luciano Benetton, dono de outros 900.000 hectares da Patagônia argentina.
Já faz um mês do desaparecimento e não se tem notícias de Santiago. A Ministra de Segurança do governo nacional, Patricia Bullrich, junto aos médios hegemônicos de comunicação, tenta por todos os meios tirar a responsabilidade da força que comanda, ora acusando aos mapuches de terroristas ora “plantando” pistas falsas acerca dos passos e até da personalidade de Santiago Maldonado.
A CIDH Comissão Interamericana de Direitos Humanos solicitou ao governo argentino que ative o protocolo internacional referente à pessoas desaparecidas. No mesmo sentido a justiça nacional que investiga o crime a cargo do juiz Guido Otranto, com sede na cidade patagônica de Esquel, mudou a qualificação legal da causa para “Desaparecimento de pessoa”.
Já foram convocadas novas manifestações para que o governo de Mauricio Macri assuma as responsabilidades do caso.
E a pergunta que não quer calar já percorre o mundo: onde está Santiago Maldonado?

